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O limite para financiamento de projetos no Fundo Clima passou de R$ 500 milhões para R$ 1 bilhão. O novo teto pode ser aplicado a projetos de minerais críticos e estratégicos e desenvolvimento de materiais que contribuam para a transição energética e descarbonização; de combustíveis alternativos ou derivados de resíduos; conversão de biomassa em produtos energéticos; conversão de biomassa em produtos de alto valor agregado; energia eólica; armazenamento de energia, bem como pack de baterias, inversores e sistemas de gerenciamento de energia; e de hidrogênio de baixa emissão de carbono.
A decisão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que administra o braço reembolsável – isto é, de empréstimos – do Fundo Clima não passou pelo Comitê Gestor do principal instrumento de financiamento climático do país. Além de aumentar o limite para financiamento, foi reduzido para R$ 250 milhões o teto para projetos de energia solar que provoquem desmatamento. O Instituto Talanoa, que tem assento no Comitê Gestor do fundo na representação da sociedade civil, defende que não sejam permitidos empréstimos para iniciativas de geração de energia solar em áreas de remanescentes de vegetação nativa.
O Fundo Clima tem orçamento de R$ 42,5 bilhões neste ano. O Boletim Fundo Clima, publicação mensal da Talanoa, detalha neste mês, além do aumento do limite dos empréstimos e os últimos projetos aprovados, a reconfiguração das fontes de recursos para o mecanismo com o adiamento do sexto leilão de petróleo da União. Inicialmente, os R$ 31 bilhões previstos da venda de participação da União em campos do pré-sal iriam para o fundo. Sem esse dinheiro, o governo teve de remanejar as fontes para manter o orçamento recorde.
GRÁFICO DA SEMANA
As chances de que as águas do Pacífico continuem aquecendo e intensificando o El Niño neste ano são altas. A probabilidade de que o fenômeno alcance a classificação “muito forte” (mais de 2,0°C de anomalia) no último trimestre do ano está em 81%. O Gráfico da Semana mostra como esse cenário deve evoluir, de acordo com as projeções atuais.
TÁ LÁ NO GRÁFICO
Nas Reuniões Subsidiárias de Bonn, em junho (SB64), a Turquia, na Presidência da COP31, apresentou sua principal meta da Agenda de Ação: elevar a participação da eletricidade no consumo final de energia dos atuais 20% para 35% até 2035. Na semana seguinte a Bonn, a campanha global Electrify Now foi lançada, na Semana de Clima de Londres. O Instituto Talanoa faz parte da iniciativa.
No Brasil, segundo o Balanço Energético Nacional (BEN, 2026), a participação da eletricidade no consumo final de energia aumentou de 17,8% para 19,7% entre 2016 e 2025. É necessário acelerar esse ritmo. Com uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo (88% de renovabilidade), o país tem uma grande oportunidade de liderar esse processo, mas existem grandes desafios no caminho.
O Tá Lá no Gráfico da Semana dá um panorama da eletrificação no Brasil e no mundo.
ABC DO CLIMA
Super El Niño: Embora não seja uma denominação oficial da Organização Meteorológica Mundial (OMM), o termo vem sendo utilizado para descrever um episódio excepcionalmente intenso do El Niño, caracterizado pelo aumento da temperatura na superfície do mar superior a +2 °C na região Niño 3.4, no Oceano Pacífico (gráfico abaixo). É o equivalente à categoria de El Niño “muito forte”, de acordo com a OMM:
- Fraco: de +0,5 °C a +1,0 °C
- Moderado: de +1,0 °C a +1,5 °C
- Forte: de +1,5 °C a +2,0 °C
- Muito forte: +2,0°C

Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 81% de probabilidade de que o El Niño seja “muito forte” entre outubro e dezembro de 2026 (veja mais no Gráfico da Semana). Essa tendência apontaria para um El Niño de intensidade recorde na média histórica (monitorada desde 1950).
Desmatamento em queda
Os dados do penúltimo mês antes do fechamento do chamado ano Prodes (agosto a julho) indicam que o desmatamento na Amazônia e no Cerrado segue para uma taxa anual abaixo do índice anterior. No caso da Amazônia, é possível que se alcance a menor taxa da história, abaixo dos 4.571 km² de 2012. De agosto de 2025 ao mês passado, a área desmatada, segundo o Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), assim como o Prodes, foi de 2.486 km² – 37% de redução na comparação com o mesmo período anterior. No Cerrado, a tendência também é de queda, mas menos acentuada: 8%.
O El Niño e a prevenção contra os incêndios florestais
Nesta semana, o Comitê de Manejo Integrado do Fogo (Comif) emitiu uma recomendação para que entes subnacionais antecipem medidas de prevenção aos incêndios florestais diante da previsão de intensificação do fenômeno El Niño entre 2026 e 2027. Considerando o alto risco de incêndios em diversas regiões do país, especialmente Norte e Centro-Oeste, e fundamentado nas projeções de diversas instituições, o Comif recomendou ações e estabeleceu prazos.
Os Estados e o Distrito Federal têm até 8 de agosto para definir suas áreas prioritárias para prevenção e combate aos incêndios florestais, indicando os critérios utilizados, além de concluir a elaboração e aprovação dos Planos de Manejo Integrado do Fogo (PMIFs) até março de 2027, como já era previsto em normativa anterior.
A medida busca antecipar ações de planejamento e coordenação federativa especificamente para fortalecer a prevenção e a resposta aos incêndios florestais. No entanto, diante do cenário climático previsto, ações como esta se tornam necessárias e urgentes para todas as áreas possivelmente impactadas pelo El Niño. As observações mostram, como apontado no Gráfico da Semana acima, que o fenômeno está se intensificando e é provável que atinja seu ápice no último trimestre do ano, alcançando a classificação de extremamente forte.
Inundações na África Ocidental
Não é só a Europa que vem sofrendo com eventos extremos. Já são duas semanas de chuvas intensas e inundações em diversos países da África Ocidental, como Costa do Marfim, Gana e Nigéria. Os meses de junho e julho são normalmente de temporada de chuva na região, porém, a intensidade deste ano é inédita. Já são mais de 59 mortos na Costa do Marfim desde maio, e mais de 30 em Gana nas últimas duas semanas. Os eventos extremos se acumulam reforçando o alerta para a urgência de medidas de adaptação climática nos países mais vulneráveis.
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1 Grupo negociador formal da UNFCCC formado por Suíça, México, Coréia do Sul, Geórgia, Liechtenstein e Mônaco. Trata-se de uma coalizão que reúne países desenvolvidos e em desenvolvimento e que, tradicionalmente, defende maior ambição climática e foco na implementação dos compromissos assumidos no âmbito do Acordo de Paris.
2 Grupo negociador da UNFCCC composto por mais de 20 países em desenvolvimento, incluindo China, Índia, Arábia Saudita, Irã, Bolívia, Venezuela e outros países da Ásia, Oriente Médio, África e América Latina. O grupo enfatiza os princípios de equidade e das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, mas são conhecidos por usá-los como forma de manter a exploração, o uso e a venda de combustíveis fósseis.
Bom fim de semana,
Equipe POLÍTICA POR INTEIRO