As condições de El Niño já estão presentes: as temperaturas da superfície marítima equatorial estão acima da média no Pacífico central e oriental, e as anomalias na circulação atmosférica sobre a região são consistentes com o fenômeno climático que se desenvolve a cada dois a sete anos. O alerta de que possa ser um evento de intensidade forte a extremamente forte está soando.
Apesar de ser um fenômeno natural, as mudanças climáticas têm acentuado os impactos de eventos extremos relacionados ao El Niño. No Brasil, nos últimos anos em condições semelhantes, houve secas no Norte e no Nordeste e mais chuvas no Sul, como já mostramos em edição anterior do Gráfico da Semana.
No último El Niño, em 2023-2024, houve a seca mais severa nos últimos 70 anos na Amazônia. Entre os setores atingidos, está a agropecuária. Além de afetar os cultivos e a logística de abastecimento e de escoamento, o calor extremo coloca em risco os trabalhadores rurais. Em 2024, esses profissionais perderam 295 horas de trabalho no Brasil por causa do calor, segundo relatório da organização britânica Energy and Climate Intelligence Unit.