A última atualização semanal de observação do El Niño da agência americana que monitora os ambientes costeiros e marinhos (NOAA) indica que as águas do Pacífico tropical estão passando de um estado neutro para um estado de aquecimento. Com isso, é quase certo (82% de chances) que, até julho, teremos configurado um El Niño, fenômeno climático caracterizado pelo aumento da temperatura do Oceano Pacífico Equatorial, que altera a pressão atmosférica sobre as águas, mudando as correntes de ar e influenciando o clima global.
Porém, ainda não há certeza sobre a intensidade do El Niño, que depende do quanto as águas se aquecerão. Quando o aumento é acima de 2°C em relação à média, os cientistas da NOAA classificam o fenômeno como “muito forte”. A partir do mesmo limiar, o Centro Europeu de Clima (ECMWF) caracteriza-o de Super El Niño. Atualmente, a probabilidade de que o aquecimento ocorra nessa escala é de 37%, entre novembro e janeiro.
Entretanto, o grau de confiabilidade dessa previsão ainda é baixo, devido à Barreira de Previsibilidade da Primavera. Durante os meses de março a maio (primavera no Hemisfério Norte), os modelos de previsão sobre a ocorrência e intensidade do El Niño erram mais do que os modelos iniciados entre junho e dezembro. Os cientistas ainda não têm uma resposta clara para essa maior incerteza. Mas as previsões serão mais confiáveis a partir do próximo mês.
Ainda que possa não ocorrer o Super El Niño, é tempo de se preparar. Como dissemos em nosso Boletim Semanal de 10 de abril: Chance de El Niño não é sinônimo de desastre, é alerta para ação.
O Gráfico da Semana mostra mapas que foram apresentados na nota técnica emitida pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden). Eles mostram como foram as chuvas no país em anos que reuniam as mesmas condições de 2026 (1982, 1991, 1997, 2009 e 2023, quando o início do ano foi de condição neutra ou em La Niña e evoluiu para um El Niño forte no segundo semestre). Os cientistas alertam que o histórico aponta para chuvas extremas no Sul e secas no Norte e no Nordeste.