Pela primeira vez, em mais de quatro décadas de monitoramento, o desmatamento anual da Mata Atlântica ficou abaixo dos 10 mil hectares. É o que mostrou o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, parceria entre a SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A iniciativa monitora grandes fragmentos de florestas maduras do bioma, desde 1985. No ano passado, a perda foi de 8.668 hectares, uma queda de quase 40% em relação à área perdida em 2024, e o menor índice da série histórica.
A SOS Mata Atlântica também divulgou o dado do desmatamento segundo o Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica, desenvolvido pela fundação, pelo MapBiomas e pela Arcplan. A queda na perda de vegetação foi de 28%, de 53.303 para 38.385 hectares. Também é o menor índice da série histórica, que tem quatro anos, desde 2022.
“A redução é reflexo de pressão pública, mobilização da sociedade, políticas ambientais e ações de fiscalização”, informou a SOS Mata Atlântica na divulgação dos resultados. A organização completa neste ano 40 anos e celebra também os 20 anos da Lei da Mata Atlântica (“primeira legislação específica para a proteção de um bioma brasileiro e referência internacional em conservação de florestas tropicais”). A expectativa é que a Mata Atlântica seja o primeiro dos seis biomas brasileiros a alcançar o desmatamento zero. Além de zerar a perda de vegetação, o desafio é promover restauração no bioma, do qual restam hoje somente 24% da cobertura original.