O oceano nunca esteve tão quente

A temperatura média diária global do oceano chegou ao nível mais alto já registrado: 21,10°C, nos dias 21 e 22 de agosto. Os recordes até então haviam acontecido em março de 2024 – o ano mais quente da história do planeta, no mar e na atmosfera. Normalmente, as temperaturas mais altas no ano são registradas em março. O outro ano atípico como este, com valores tão altos em agosto, foi registrado em 2023, que é o segundo ano mais quente já observado – chegou a deter o topo do ranking até ser desbancado por 2024. 

O Gráfico da Semana mostra esse quadro visualmente: observe como é a curva padrão da temperatura da superfície do oceano (linhas em cinza, mais finas, e a linha branca mostrando a média de 1991 a 2020); veja como a curva de 2026 (vermelha) se assemelha não ao padrão das últimas três décadas, mas à de 2023 (amarelo-clara), prenunciando 2024 (amarela), já que dezembro de 2023 (terminando a linha amarelo-clara à direita) é sucedido por janeiro de 2024 (amarela), com a linha ascendendo até março. Ou seja, pode haver uma redução da temperatura agora em setembro e outubro, mas ela deve voltar a subir em novembro e dezembro e seguir essa tendência até março, a partir de uma linha-base muito mais alta do que o normal.

Isso reforça indicações de que 2026 quebre o recorde de 2024 ou chegue muito próximo a ele, e que 2027 superá-lo. Outro fator é que 2023/2024 também foi um período de El Niño. E aquele episódio é considerado o mais forte já monitorado até aqui. O que atravessamos agora é previsto para ser mais potente ainda.

Equipe Editorial (Liuca Yonaha, Marta Salomon, Marco Vergotti, Renato Tanigawa, Taciana Stec, Daniel Porcel, Caio Victor Vieira, Beatriz Calmon e Rayandra Araújo).

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