A Força-Tarefa Adaptação como Prioridade para a América Latina e o Caribe enviou uma carta aos candidatos à Secretaria-Geral das Nações Unidas, assinada por mais de 80 organizações da sociedade civil de diferentes países, pedindo que a adaptação climática ocupe um lugar central no novo mandato.
A escolha de quem liderará a ONU ocorre em um momento no qual a acentuação dos impactos da crise climática evidencia a necessidade de fortalecimento de uma resposta multilateral. Entre os sete candidatos até o momento, cinco são indicações de países latino-americanos: Michelle Bachelet (indicada por Chile, Brasil e México), María Fernanda Espinosa (Antígua e Barbuda), Rafael Grossi (Argentina), Rebeca Grynspan (Costa Rica) e Carolyn Rodrigues-Birkett (Guiana). E dois nomes foram apresentados por africanos: Macky Sall (Burundi) e Olara Otunnu (Uganda). A possibilidade de a ONU ter, pela primeira vez em 80 anos, uma mulher como secretária-geral também adiciona simbolismo à disputa.
A carta reconhece os esforços do atual secretário-geral, António Guterres, em elevar a mudança do clima ao topo da agenda da ONU, mas defende que o próximo mandato deve ir além. A adaptação climática precisa ser tratada como prioridade política, financeira e institucional.
A crise climática não é mais uma ameaça distante. É uma realidade presente, crescente e desigual. Ondas de calor, secas, enchentes e inundações afetam de maneira cada vez mais severa cidades, comunidades, zonas costeiras, sistemas de energia, agricultura, saúde e segurança, com impactos que recaem com mais força sobre as populações mais vulnerabilizadas. Proteger pessoas e territórios deve estar no centro do multilateralismo climático.
Entre as principais recomendações, a Força-Tarefa e as organizações signatárias pedem que o futuro Secretário-Geral:
- Eleve a adaptação ao mais alto nível da agenda política internacional, com foco na implementação da arquitetura já existente da UNFCCC.
- Integre a adaptação de forma transversal às agendas globais de desenvolvimento, incluindo as áreas prioritárias do Objetivo Global de Adaptação, como água, alimentação e agricultura, saúde, ecossistemas, infraestrutura e assentamentos humanos, pobreza e meios de subsistência.
- Promova coerência institucional entre a UNFCCC, os órgãos da ONU e a arquitetura financeira internacional.
- Incentive novos compromissos por financiamento de adaptação previsível, acessível e predominantemente público.
- Defenda processos mais inclusivos e transparentes, ampliando as oportunidades de participação da sociedade civil na ONU e na UNFCCC.
Acesse aqui a carta na íntegra.