Com a retomada da guerra dos Estados Unidos contra o Irã e a nova interrupção do tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz, o preço do petróleo voltou a disparar. Para reduzir os impactos no Brasil, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou aumentar a porcentagem de mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%. A medida vale por 180 dias, prorrogáveis por igual período. Como o país é autossuficiente em álcool combustível, o aumento na mistura ajuda a reduzir as importações de gasolina e fortalece a segurança energética.
Além da resposta ao atual contexto geopolítico, a decisão do CNPE aproxima o Brasil de uma das metas do Setorial de Energia do Plano Clima até 2035: alcançar 35% de álcool na mistura com a gasolina. O Gráfico da Semana mostra como o Brasil vem há quase um século aumentando a mistura de etanol na gasolina. Apesar de a medida ter sido, na maioria das vezes, motivada por razões econômicas, trouxe e traz impactos socioambientais.
Essa história começa em 1931, com Getúlio Vargas decretando a obrigatoriedade de 5%. Em 1975, vem o Proálcool, com a crise do petróleo. Em 1993, a questão ambiental impulsiona o aumento, com o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve). Na década seguinte, os carros flex passam a circular em massa no país e o setor sucroenergético eleva sua produção. A safra recorde de 2007 faz o preço do álcool despencar. Para ajudar o setor, o percentual na gasolina é aumentado. Em 2015, a elevação vem para balancear a pressão inflacionária, que vinha sendo contida por meio do controle do preço da gasolina importada pela Petrobras. O aumento também ajuda o setor sucroalcooleiro. No ano passado, a elevação para 30% ocorre após estudos técnicos demonstrarem que a frota do país poderia comportar essa mistura sem danos aos motores, atendendo as diretrizes da Lei do Combustível do Futuro, um passo importante para a descarbonização dos transportes. E, agora, o aumento motivado pelo contexto geopolítico, mas com impactos positivos para as metas climáticas.