Pacífico aquecido como nunca

O aquecimento da região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial, atingiu o maior nível já registrado pela NOAA – agência científica dos Estados Unidos. O recorde ocorre na série histórica conhecida como ONI (Oceanic Niño Index), com dados desde 1950 para observar e caracterizar o El Niño. Chama atenção que a curva deste ano é muito acentuada para cima, pois normalmente o ápice do fenômeno acontece mais próximo ao fim do ano.

A visualização do ONI com o índice que o substituiu, desde fevereiro deste ano como referência principal para o monitoramento do El Niño, mostra o quanto o fenômeno ocorre num pano de fundo mais quente. O RONI (Relative Oceanic Niño Index) ajusta a medição da anomalia de Niño 3.4 para descontar a elevação da temperatura num quadro geral de aquecimento do oceano tropical. Pois, se todo o mar está mais quente, não ocorrem as diferenças de temperatura e pressão entre áreas, o que configura o El Niño e desencadeia seus possíveis impactos.

A comparação das duas curvas (a vermelha, referente ao ONI, e a laranja, ao RONI) mostra que, sim, o pano de fundo é bem mais quente, mas o El Niño em si também é bastante acentuado, afinal a curva laranja está em setembro bem acima das curvas de El Niño fortes anteriores, em linhas sem o desconto do aquecimento geral.

Equipe Editorial (Liuca Yonaha, Marta Salomon, Marco Vergotti, Renato Tanigawa, Taciana Stec, Daniel Porcel, Caio Victor Vieira, Beatriz Calmon e Rayandra Araújo).

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