O relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), publicado nesta semana, traz uma constatação incontornável: o planeta deve ultrapassar o limite de 1,5°C em relação à era pré-industrial nos próximos anos. Isso não significa que tudo está perdido. Ainda é possível reduzir o aquecimento, por meio da trajetória conhecida como “overshoot (ultrapassagem), pico e declínio”, evitando-se os cenários de impactos mais severos.
No cenário mais otimista apresentado pelo relatório, o aquecimento global poderia atingir um pico de 1,8°C e depois começar a cair, desde que haja cortes rápidos nas emissões globais, acelerando a transição para longe dos combustíveis fósseis. Ao mesmo tempo, será fundamental priorizar a adaptação climática para proteger pessoas, comunidades, ecossistemas e economias dos impactos de um planeta mais quente.
No cenário mais pessimista, o agravamento do aquecimento pode desencadear pontos de não-retorno (tipping points) em ecossistemas essenciais, provocando impactos cada vez mais graves e potencialmente irreversíveis.
Em julho, uma das edições do Gráfico da Semana mostrou que o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S) da União Europeia atualizou suas previsões e destacou a aproximação da barreira do 1,5°C. A projeção é de que esse patamar seja alcançado em três anos, em 2029.