A China provou do que é capaz ao atingir em 2024 a meta de 1,2 TW de capacidade instalada de energia eólica e solar prevista para 2030 e dominar cadeias globais de baterias e veículos elétricos. No entanto, o impacto de eventos extremos como o supertufão Bavi, que levou em julho à evacuação de quase 2 milhões de pessoas no leste do país, expôs os limites de uma política focada predominantemente na redução de emissão. Apesar de o país demonstrar alta capacidade de resposta emergencial e reconstrução, a adaptação climática segue majoritariamente reativa e focada na gestão de crises, sem o status de eixo estruturante da política climática do país.
A Estratégia Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas 2035 é o principal marco chinês para dar escala institucional à resiliência, apesar de não ter sido submetida como Plano Nacional de Adaptação (NAP, em inglês) à UNFCCC. O documento traça diretrizes até 2035 em frentes críticas e detalha metas anuais para sistemas de alerta precoce, previsão e avaliação de risco. Na prática, isso deveria colocar a adaptação no mesmo nível de prioridade da transição energética.
Análises de financiamento climático na China mostram que, em 2024, os desastres climáticos causaram US$58 bilhões em prejuízos no país; enquanto o investimento em adaptação atingiu apenas US$15,4 bilhões por ano, reles 3% do financiamento climático chinês. Já foi comprovado que investir em resiliência traz um triplo dividendo ao evitar destruição, proteger pessoas e manter a economia rodando. O desafio é que esses benefícios são coletivos, sem gerar a venda de produtos ou tarifas comerciais diretas. É por isso que a política industrial e os mercados correram a mil por hora na mitigação, enquanto a adaptação continua subfinanciada e operando no gargalo.
Os eventos extremos no leste do país escancaram que gerenciar a crise depois que o desastre acontece não é o mesmo que construir resiliência. Se a China quiser disputar a liderança climática global de fato, precisa parar de tratar a adaptação como resposta a emergências e começar a se preparar para a prova real.