O que falta para o Plano Clima ser divulgado

(O conteúdo que você vai ler a seguir é feito totalmente por humanos, e para humanos)

Após mais de um mês da única reunião do Pleno do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM) em 2025, no qual se aprovaram os Setoriais de Mitigação e de Adaptação do Plano Clima, os documentos seguem sem divulgação oficial. Há intenção no Governo Federal de lançá-los como um pacote. E alguns defendem que isso seja feito somente no dia 16 de março, Dia Nacional da Conscientização sobre as Mudanças Climáticas. 

As dificuldades que impediram o lançamento do Plano Clima na COP30, em novembro, foram superadas com a criação do oitavo Plano Setorial de Mitigação, para abranger o uso da terra em áreas rurais privadas, como contamos no Blog da Política por Inteiro em 2025. Assim, as emissões por desmatamento em propriedades rurais não ficarão no Setorial de Agropecuária. Entretanto, é preciso aguardar a publicação do Plano Clima para compreender exatamente como ficarão as metas e as responsabilidades de cada setor para o Brasil cumprir seus compromissos climáticos. 

O que também ainda não ocorreu foi a submissão do Plano Nacional de Adaptação (NAP) do país à Convenção do Clima (UNFCCC). Assim como os documentos domésticos, aguarda os procedimentos burocráticos para ser colocado no sistema da UNFCCC.

GRÁFICO DA SEMANA

Estreamos a seção Gráfico da Semana, que trará toda semana no Boletim e no Blog da Política por Inteiro, um gráfico que explora de forma simples e didática um dado relevante para as políticas de clima. 

Nosso primeiro Gráfico da Semana apresenta uma das várias informações importantes do relatório anual The Global Climate Highlights 2025, do observatório climático da União Europeia, Copernicus. O estudo mostra que 2025 foi o terceiro ano mais quente já registrado. A temperatura média do ar na superfície do planeta ficou 1,47°C mais elevada do que a média da era pré-industrial. 

No Gráfico da Semana, as médias mensais são comparadas com uma média bem mais recente do que a do período pré-industrial, a média de 1990 a 2020. Ou seja, é possível observar que o aumento da temperatura está se acelerando. Já estamos num planeta mais quente não apenas em relação a antes de 1850, mas em relação a 30 anos atrás. Saiba mais no post do Gráfico da Semana no Blog da Política por Inteiro.

ABC DO CLIMA

Fermentação entérica – Fermentação entérica é o processo digestivo de animais ruminantes, como os bois, e representa a maior fonte de emissão de gases de efeito estufa (GEE) no Brasil depois do desmatamento. O arroto do gado emite metano (CH4) na atmosfera e torna a pecuária uma atividade econômica altamente intensiva em carbono, por também representar vetor de desmatamento. Segundo o Inventário Nacional de Emissões e Remoções de GEE, em 2022, 404,1 megatoneladas de gás carbônico equivalente (MtCO2e) foram emitidas no Brasil por fermentação entérica – 20% do total de emissões do país.

Risco de falta d’água em SP aumenta

A seca no Sistema Cantareira, principal fonte de fornecimento de água para a maior cidade do país, agravou-se no mês passado. São Paulo está sob risco de falhas no abastecimento, com intensidade da seca hidrológica variando entre excepcional e extrema, de acordo com o último boletim mensal do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). No levantamento anterior, a situação variava entre extrema e moderada. A estação chuvosa não tem trazido precipitações suficientes para recuperar os níveis dos reservatórios.

Prêmio para adaptação no SUS

O Ministério da Saúde lançou na primeira semana de janeiro o Prêmio AdaptaSUS, em Chamada Pública. A iniciativa busca selecionar experiências de adaptação climática com interface com a saúde pública desenvolvidas no âmbito do Sistema Único de Saúde. As três melhores iniciativas receberão uma premiação financeira na 18ª Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças – 18ª EXPOEPI, que ocorrerá no mês de abril, em Brasília. 

A agenda de adaptação tem avançado no Sistema Único de Saúde (SUS), com o AdaptaSUS. Com um sistema de políticas públicas consolidado e com previsibilidade de financiamento e mecanismos de indução, a incorporação da lente climática se traduz em implementação.

Alta das emissões de GEE nos EUA

As emissões de gases do efeito estufa (GEE) nos Estados Unidos voltaram a crescer mais do que a economia daquele país em 2025, invertendo uma relação observada nos anos anteriores, como mostra o gráfico abaixo. Segundo estudo do Rhodium Group, com dados preliminares das emissões no ano passado, esse crescimento se deve primordialmente a dois fatores:

– o inverno mais rigoroso em 2025 e o aumento das emissões por combustíveis fósseis para calefação nas edificações em 6,8%;

– a alta no preço do gás e a maior necessidade de eletricidade a carvão, levando a um aumento de 3,8% das emissões no setor de energia.

A demanda por energia foi puxada sobretudo por data centers, consequência do boom da inteligência artificial e necessidades de maior processamento de dados, e pela mineração de criptomoedas. 

As emissões nos EUA não foram impactadas – ainda em 2025 – pelas medidas anti-clima de Donald Trump, mas os especialistas preveem que esses efeitos devem ser percebidos nos próximos anos.

Bom fim de semana,
Equipe POLÍTICA POR INTEIRO

Equipe Editorial (Liuca Yonaha, Marta Salomon, Marco Vergotti, Renato Tanigawa, Taciana Stec, Daniel Porcel, Caio Victor Vieira, Beatriz Calmon e Rayandra Araújo).

Assine nossa newsletter

Compartilhe esse conteúdo

Apoio

Realização

Apoio