O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) recebeu, em 2025, um volume inédito de pedidos de empréstimos para projetos voltados à adaptação às mudanças climáticas. O Boletim Fundo Clima, publicação mensal do Instituto Talanoa, mostra que R$ 3,5 bilhões foram solicitados por Estados e Municípios, sendo que R$ 300 milhões chegaram à fase final de contratação e R$ 1,2 bilhão já foi aprovado e aguarda a assinatura do contrato.
Além dos empréstimos solicitados por entes públicos, houve dois créditos de projetos para adaptação contratados por empresas. Uma delas buscou financiamento para construção de cinturão verde e redes de drenagem em aterro sanitário; outra, para revitalizar a área de um parque estadual. No caso dos projetos privados, o BNDES não mostra os dados desde a fase inicial do processo, chamada de “perspectiva”, mas somente quando já há o contrato.
Ainda que tenha havido esse inédito volume de pedidos para iniciativas de adaptação e resiliência, a maior parte dos contratos não-automáticos (aqueles sobre os quais há uma análise mais detalhada antes da concessão do crédito) é dedicada à transição energética. Nosso Gráfico da Semana abaixo traz esse detalhamento.
Neste ano, o BNDES terá mais uma vez um volume recorde de recursos para financiamento climático. A Lei Orçamentária Anual autorizou R$ 42,5 bilhões para o Fundo Clima em 2026. O mecanismo é dividido em dois braços. Um, com R$ 27 bilhões, destinados a empréstimos como os relatados pelos números acima. O outro é o Eco Invest, de blended finance, coordenado pelo Ministério da Fazenda. O programa trabalha com leilões para captar dinheiro da iniciativa privada e oferecer linhas de crédito com recursos mistos – públicos e privados. Já foram quatro leilões, sendo que o último foi lançado na COP30, com foco na Amazônia, para projetos de bioeconomia, turismo sustentável e infraestrutura. Ainda não foi divulgado o resultado com a alavancagem obtida. Mais um leilão Eco Invest deve ocorrer, pelo menos, até abril deste ano.