O degelo no Ártico, clima e geopolítica

O gelo do Ártico está mais uma vez abaixo do normal no inverno no Hemisfério Norte. O Gráfico da Semana mostra como o limite da área congelada até dezembro está menor em relação à média de 1991 a 2020 para o mês.

O derretimento da área congelada traz impactos ecossistêmicos e pode levar à liberação de grandes quantidades de carbono, com o degelo do permafrost (um tipo de solo que estava, até então, permanentemente congelado).

O degelo no Ártico traz implicações não apenas para o clima ou ecossistemas, mas também para a geopolítica. Ele aumenta a área navegável no Norte do Globo, ainda que em rotas perigosas, sob risco de colisões com blocos de gelo e ocorrências de vazamentos. 

Do ponto de vista militar, requer atenção para a capacidade de mobilização russa, fragilidade europeia e dinâmica dos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Os Estados Unidos de Donald Trump cobiçam a região, com investidas sobre a Groenlândia. Os recursos minerais sob o gelo ártico, incluindo minerais críticos, também atraem interesses estratégicos.

A redução do volume de gelo no extremo norte do globo terrestre parece paradoxal com as nevascas recordes registradas neste inverno nos Estados Unidos e na Rússia. O frio intenso nas regiões de latitude mediana tem relação com o Ártico, mas com outro aspecto climático: o vórtice polar, um vento que circula no sentido anti-horário na extremidade do planeta. O vórtice polar geralmente contém o ar gelado nas proximidades do pólo. Quando essa corrente enfraquece, acaba liberando esses ventos congelantes para áreas mais ao Sul.

A relação dessa dinâmica com as mudanças climáticas ainda não está clara. Existem modelos que apontam para um enfraquecimento do vórtice com o degelo do Ártico. Outros sugerem uma maior potência da corrente com o aquecimento da atmosfera.

Equipe Editorial (Liuca Yonaha, Marta Salomon, Marco Vergotti, Renato Tanigawa, Taciana Stec, Daniel Porcel, Caio Victor Vieira, Beatriz Calmon e Rayandra Araújo).

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