Agropecuária recebe 21 vezes mais recursos no Orçamento 2026 do que conservação da floresta

O dinheiro público federal liberado para programas que financiam a agropecuária é 21 vezes maior do que o que vai para a conservação da floresta no Orçamento da União. É o que mostra o estudo Orçamento Climático 2026, do Instituto Talanoa. Anualmente, as despesas do Governo Federal que mais contribuem tanto para a mitigação das emissões de gases de efeito estufa quanto para a adaptação às mudanças climáticas são analisadas.

São R$ 29,8 bilhões para a agropecuária, somando-se os programas “Agropecuária Sustentável” (R$ 18,6 bilhões), “Agricultura Familiar e Agroecologia” (R$ 10,7 bilhões) e “Pesquisa e Inovação Agropecuária” (cerca de R$ 500 milhões). Enquanto isso, o valor total de quatro programas ou ações orçamentárias analisadas que contribuem para manter a floresta em pé foi de R$ 1,4 bilhão. Entre eles, o programa “Proteção e recuperação da biodiversidade e combate ao desmatamento e incêndios” começa o ano com R$ 986 milhões –  quase 30% a menos do que teve no ano passado.

Segundo o levantamento da Talanoa, o maior dos gastos climáticos no Orçamento da União acontece por meio do Fundo Clima, em seus dois braços principais: os empréstimos via Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) e o mecanismo de atração de capital privado e estrangeiro do EcoInvest. Neste ano, o principal instrumento de financiamento climático do país bate um novo recorde e salta de R$ 26,5 bilhões para R$ 42,5 bilhões. Mais de sete a cada dez reais desse valor vêm de recursos do petróleo, que passam a constituir a principal fonte de dinheiro para a transição, com aporte previsto de R$ 31,2 bilhões.

O estudo também mostra que, no processo de aprovação no Congresso da proposta de Orçamento enviada pelo Governo Federal, os parlamentares reduziram a previsão de gastos para o sistema de alertas de desastres naturais, para conter inundações e erosões marinhas e até para a construção de cisternas para consumo humano e produção de alimentos, embora tenham aumentado as verbas disponíveis para a Defesa Civil, no Orçamento do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional.

O corte de gastos na agenda de adaptação às mudanças climáticas foi acompanhado, no Congresso, pela multiplicação dos gastos destinados à proteção e bem-estar dos animais, que cresceu 98 vezes entre a proposta enviada pelo governo e a versão final da Lei Orçamentária, alcançando R$ 102 milhões. A chamada “causa pet” é o tema que mais recebe recursos de emendas parlamentares no Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. No total do Orçamento, as emendas parlamentares somam R$ 49,9 bilhões e capturam uma fatia significativa dos gastos públicos.

O relatório Orçamento Climático 2026 aponta, como tem feito nos últimos quatro anos, as limitações para o rastreamento dos gastos da União sob uma abordagem climática. O Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) tem avançado na classificação dos recursos, com destaque para o lançamento em 2025 do Painel Gastos Climáticos. O estudo da Talanoa mostra a diferença entre as metodologias do instituto e do governo, com sugestões de aprimoramento.

Equipe Editorial (Liuca Yonaha, Marta Salomon, Marco Vergotti, Renato Tanigawa, Taciana Stec, Daniel Porcel, Caio Victor Vieira, Beatriz Calmon e Rayandra Araújo).

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