COP30 – DIA 4, SEMANA 2: Incêndio na Zona Azul da COP interrompe negociações em Belém
- COP30
- 20 de novembro de 2025
(O conteúdo que você vai ler a seguir é feito totalmente por humanos, e para humanos)
O Dia 11, ou dia 4 da segunda semana da Conferência do Clima em Belém foi interrompida de forma abrupta. Um incêndio, que começou por volta das 14h no setor dos países da Zona Azul, provocou a evacuação da área, paralisando as reuniões e negociações na COP30. Segundo informado pela UNFCCC, 21 pessoas precisaram receber atendimento médico, sendo 19 por terem inalado fumaça. A equipe da Talanoa deixou o local em segurança.
A Zona Azul foi reaberta às 20h40, após as autoridades brasileiras terem restabelecido as condições de operação no espaço e obtido o alvará de funcionamento do Corpo de Bombeiros, devolvendo a área à UNFCCC. As negociações foram retomadas e a previsão é de que aconteçam noite adentro. O trabalho ocorrerá por meio de consultas da Presidência da COP30 no alto nível, sem negociações técnicas. As consultas com Partes e blocos serão retomadas na sexta-feira, às 8h.
Segundo o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, em entrevista à Globonews, deve ocorrer uma plenária “entre o fim da manhã e início da tarde” (a previsão é de 11h) para aprovação de itens já encaminhados. Na sequência, deverão trabalhar nos 15 itens do Pacote Político de Belém – o texto da Decisão do Mutirão e mais 14 pontos da agenda de negociação da COP30.
Corrêa do Lago afirmou que a entrada do Mapa do Caminho para Longe dos Combustíveis Fósseis está em negociação, mas que mais de 80 países se manifestaram não estarem prontos para ver esse compromisso no texto. Para as 9h30 desta sexta, a Colômbia – uma das vozes mais ativas pelo Mapa do Caminho – convocou uma entrevista coletiva para lançar a Declaração de Belém. O objetivo é reforçar o momentum pela transição para longe dos fósseis.
Para esta sexta-feira, as sessões plenárias devem ser abertas às Partes, Observadores e Imprensa, além de serem transmitidas online.
No começo do dia, véspera do encerramento previsto da Conferência, havia muita expectativa para a divulgação de um novo rascunho. Nós acreditávamos que todos os textos deveriam sair de uma vez e as coisas ficariam um tanto quanto aceleradas. Para esta sexta-feira, seguimos acompanhando três coisas que ainda não têm nenhum sinal de que serão devidamente resolvidas:
1) Mapa do Caminho: grande promessa, apesar do apoio amplo, ainda há resistências e nem Lula sinalizou de que forma isso poderia se concretizar na COP30;
2) Indicadores de Adaptação (GGA): uma grande expectativa, mas grupo africano continua bloqueando adoção, sem recuar;
3) Financiamento para adaptação: países desenvolvidos precisam dar sinais claros sobre a possibilidade de triplicar os recursos. Se isso acontecer, outros pontos podem destravar.
Austrália e Turquia dividem COP31
Repercutimos a confirmação dos rumores de que a Austrália não sediará a COP31. Houve um acordo entre os australianos e turcos. A Austrália presidirá e terá todas as funções de presidência, no entanto a anfitriã local da Conferência será a Turquia e ela terá algumas outras responsabilidades, por exemplo, em relação à Agenda de Ação.
Segundo Natalie Unterstell, presidente da Talanoa, trata-se de um arranjo um tanto estranho. Já houve situações no passado, pelo menos seis COPs em que houve uma espécie de conjugação de esforços entre dois países. Mas , neste caso, são duas geografias muito diferentes. “Era a vez de haver uma COP no Pacífico e há um gosto muito amargo para aqueles que estavam realmente torcendo pra que isso se efetivasse”, disse.
Guterres reforça importância do financiamento climático
O secretário geral da ONU, António Guterres, disse, em entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira, que nada pode acontecer sem financiamento acessível. “Esse apoio precisa acontecer rapidamente”, frisou. Ele também disse que o financiamento privado deve ser escalável e pediu engajamento dos ministros de forma ambiciosa na reta final da COP30. “Países desenvolvidos precisam se engajar”. Especificamente sobre adaptação, Guterres falou: “Precisamos de um equilíbrio entre adaptação e mitigação, que é preciso resolver; e a presidência da COP está fazendo isso”.
Bioeconomia Inclusiva na Amazônia
Lançado na AgriZone, na Embrapa, no Dia 11 na COP, o Atlas da Bioeconomia Inclusiva na Amazônia Legal. O projeto é composto de um conjunto de dados e informações que podem funcionar como um “guia de planejamento” para cada um dos nove estados amazônicos e suas microrregiões na elaboração de planos, programas e projetos de fomento à sociobioeconomia, seu financiamento, ordenamento territorial, e temas relacionados.
Além dos representantes da própria Embrapa, a Secretaria Nacional de Bioeconomia do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (SBC/MMA) aproveitou o evento para repercutir o Programa Prospera Sociobio, de fomento a núcleos da Bioeconomia nacional.
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Compromissos para um marco de justiça em Belém
No início da tarde desta quinta, uma coletiva de imprensa intitulada “Urgências e Compromissos para um Marco de Justiça em Belém”, reuniu representantes de instituições do Brasil, América Latina e Caribe, com organização da Climate Action Network América Latina (CANLA) e Clima de Justicia. A Talanoa esteve presente, com a presidente do Instituto, Natalie Unterstell. Sobre o Mapa do Caminho para longe dos combustíveis fósseis, Karla Maass, representante da CANLA, disse que não basta tratar do Mapa do Caminho na chamada “Decisão de Mutirão”. Nós precisamos de “um processo sólido, de acordo com o parágrafo 28. A transição não pode ser vista como um castigo, mas é uma oportunidade”.
Natalie defendeu um pacote, cuja presidência da COP abraçou como pilares fundamentais: indicadores e financiamento. “É fundamental que esse pacote seja adotado aqui em Belém. É importante que isso aconteça, ou não haverá tempo para alimentar o segundo GST com dados de resiliência. É inaceitável que haja atraso”.
Alejandra Lopez (Transforma) chamou a atenção para a lacuna das NDCs. Até o momento, são 127 submissões. “Não são suficientes para não ultrapassar 1,5ºC, que é o nosso Norte”, disse.
Na manhã desta quinta aconteceu o Painel “Aterrissando a GGA nos Territórios: Dos Objetivos Globais às Realidades Locais na América Latina e no Caribe”, uma iniciativa da Força-Tarefa de Adaptação como Prioridade — uma coalizão de 40 organizações de 13 países da América Latina e do Caribe, da qual a Talanoa faz parte. A sessão discutiu como traduzir o Objetivo Global de Adaptação (GGA) em ações territoriais concretas, com ênfase em dados comunitários, monitoramento cidadão e metodologias participativas
Tacacá do dia
Na parede de Belém, a cobra desperta — tronco, tinta e território se entrelaçam.
É a Amazônia sussurrando ao mundo, em plena COP30, que cada traço é também um pedido de cuidado.
Grafite no muro do Museu Paraense Emílio Goeldi.
Frase
Simon Stiell, secretário executivo das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, durante sessão de fechamento para a Agenda de Ação.
Céu iluminado em Belém
Na noite de quinta-feira, o céu de Belém foi iluminado por centenas de porangas, lamparina tradicional utilizada por seringueiros na floresta amazônica, feita a partir de latas de óleo e funcionando com querosene. Chamado de “Porangaço dos Povos da Floresta”, o evento paralelo à COP30 reuniu lideranças extrativistas e apoiadores.
Eventos Talanoa na COP
| DATA | EVENTO | LOCAL | HORÁRIO | PARCEIROS ORGANIZADORES |
| 20/11/2025 | Landing the GGA on territories: from global goals to local realities in Latin America and the Caribbean | Regional Climate Pavilion | 11:15 – 12:15 | Palmares, Talanoa, Decodifica |
| 20/11/2025 | Painel Mudanças Climáticas | Casa Vozes do Oceano | 15:30 – 19:00 |