COP30 – Dia 3: O dia D, de definições, virou D de dinâmico

COP30 – Dia 3: O dia D, de definições, virou D de dinâmico

(O conteúdo que você vai ler a seguir é feito totalmente por humanos, e para humanos)

Foto: Rafa Neddermeyer/COP30 Brasil Amazônia/PR.

O terceiro dia da COP da Amazônia chegou com a expectativa de ser o Dia D, de definições, para nortear a agenda de negociação. Mas acabou com um banho de chuva amazônica. Nesta quarta-feira (12), a presidência da COP esperava concluir as consultas sobre as quatro questões pendentes que buscam espaço na agenda de negociação: financiamento aos países em desenvolvimento (Art.9.1); relatórios de transparência (BTRs); resposta à crise das NDCs e as medidas unilaterais de comércio (UTM).

A plenária para discutir esses assuntos estava marcada para as 17h. Alguns minutos depois do horário previsto, o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, entrou, abriu o microfone e falou rapidamente que as consultas não terminaram. Nela, a presidência brasileira da COP30 deveria apresentar um balanço das consultas realizadas nos últimos três dias. Porém, o processo foi prorrogado pelo menos até amanhã, quinta-feira. Um balanço dessas consultas está previsto agora somente para o sábado (15). Com as negociações, espera-se encontrar um local para deliberar sobre os quatro pontos. Esse lugar pode ser os trilhos de negociação já existentes ou alguma solução criativa e inovadora, que contemple uma abordagem coletiva para as demandas. Seguimos acompanhando.

Phase Out!

Esta quarta também é o “Phase Out Fossil Fuel Day”, com diversos eventos da sociedade civil. A Talanoa organiza e participa do diálogo “Eliminação Gradual dos Combustíveis Fósseis no Brasil”, a partir das 11h30, no WWF Pavilion (Panda Hub). O evento busca o apoio construtivo e crítico de instituições engajadas nos esforços públicos, privados, políticos e técnicos para reduzir a dependência brasileira de combustíveis fósseis de maneira justa, ordenada e equitativa.

Pressão nos combustíveis fósseis

Mesmo após a Presidência da COP30 alegar que não um item de agenda formal para tratar do Mapa do Caminho para a substituição dos combustíveis fósseis, a Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, reiterou ser necessário a construção comum de um que demonstre cooperação entre os países. Especialmente sobre metodologias cumpríveis, dado que a redução do uso de petróleo, gás e carvão é uma urgência para resolver a crise climática que piora a cada ano, como vimos recentemente na Jamaica e no Paraná. Essa posição, defendida e articulada pelo Instituto Talanoa, foi aplaudida e reiterada nominalmente pelos Ministros da Dinamarca, Reino Unido e Quênia.

Just Transition

Nas discussões desta quarta sobre transição justa para eliminação dos combustíveis fósseis, dois pontos se destacaram:

1️⃣ Debate sobre como a questão energética entra no Just Transition Work Program. O Grupo Árabe defendeu manter linguagem permissiva com combustíveis fósseis por segurança energética. Já UE, Reino Unido e países africanos pediram foco em transição justa, com menção a salvaguardas e mineração crítica — um avanço no terceiro dia da COP.

2️⃣ Nenhum país se opôs a ter um mecanismo de implementação, mas a maioria não apoia o “Belém Action Mechanism”, proposto pela CAN e apoiado pelo G77 e China.

A maior participação indígena na história

Nesta quarta-feira, a Ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, chegou à Zona Azul caminhando ao lado de Joenia Wapichana e outras lideranças indígenas femininas. Ela afirmou que a articulação pela participação dos povos originários resultou no credenciamento e acesso de 400 indígenas à área dedicada às negociações e que essa é a COP com maior participação indígena.

Comitê de descarbonização do transporte marítimo

Durante evento no Espaço Brasil da COP30, na terça-feira à tarde, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPOR)  anunciou a criação do Comitê de Descarbonização do Transporte Marítimo, passo importante para tornar o setor mais sustentável.

O ministro informou ainda que será aberta uma consulta pública para definir o que caracteriza uma embarcação sustentável no país — seguindo orientação direta do presidente da República.

O MPOR também destacou o programa BR do Mar, que incentiva o transporte por cabotagem. Segundo o ministro, “para cada 25 barcaças utilizadas, 500 caminhões deixam de rodar” — reduzindo custos e emissões.

Frase

“No silêncio, você escuta a Terra. Mas hoje a cultura é a do barulho. No barulho, você não escuta a mãe Terra. E aí ficamos distantes”

Davi Kopenawa, líder indígena e escritor, no Action Agenda Hub da COP30

Tacacá do dia

12/11/2025 - Belém - Barqueata da Cúpula dos Povos leva mais de 200 embarcações à Baía do Guajará durante a 30ª Conferência das Partes (COP30). Foto: Hermes Caruzo/COP30.

Chuva torrencial. Calor intenso. Cheiro de diesel, banheiros entupidos, ruas alagadas.Protestos vibrantes e outros, preocupantes. Isso foi ontem.E hoje, mais de 200 barcos participam da “barqueata” da COP30.A mensagem: o povo é a resposta.

A agenda de eventos da Talanoa começou cedo nesta quarta-feira, com um bate-papo sobre resiliência e adaptação na Casa TED Countdown. A presidente da Talanoa, Natalie Unterstell, apresentou exemplos positivos dos territórios brasileiros: Marajó Resiliente e Observatório do Calor do Rio de Janeiro.

Eventos Talanoa na COP

DATAEVENTOLOCALHORÁRIOPARCEIROS
ORGANIZADORES
13/11/2025The Road From Belem: How COP30 will drive a “New Era of Implementation” on Resilience and AdaptationSide Event Room 511:30 – 13:00ICS, CONCITO, E3G, I4CE
15/11/2025Evento ministerial de alto-nível – Energy Transition CouncilSide Event Room 214:30 – 16:00E3G, ETC, Presidência COP30

Equipe Editorial (Liuca Yonaha, Marta Salomon, Melissa Aragão, Ester Athanásio, Marco Vergotti, Renato Tanigawa, Taciana Stec, Wendell Andrade, Daniel Porcel, Caio Victor Vieira, Beatriz Calmon, Rayandra Araújo e Daniela Swiatek).

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