COP30 – Dia 1: Acompanhe os principais fatos
- COP30
- 10 de novembro de 2025
(O conteúdo que você vai ler a seguir é feito totalmente por humanos, e para humanos)
A abertura oficial da COP30, nesta segunda-feira (10), em Belém, marcou o início de uma Conferência que promete ser a “COP da Implementação”. Em meio aos discursos que definiram o tom político do evento, a presidência da COP30 conseguiu encaminhar a aprovação da agenda, deixando itens mais críticos como resposta às Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e medidas unilaterais de comércio em consulta até quarta-feira. A adaptação às mudanças climáticas ocupou parte dos discursos durante a plenária de abertura, mas não teve a ênfase que um tema prioritário merece receber.
No dia temático dedicado à adaptação e resiliência, André Corrêa do Lago disse, em seu discurso de posse, que espera que a COP30 seja lembrada como a COP da Adaptação. O próprio presidente Lula destacou a importância do tema, pedindo a devida atenção à adaptação climática ao apontar que a emergência climática já é uma tragédia do presente e que seus impactos recaem de forma desigual sobre as populações mais vulneráveis.
No espaço Brasil, o painel “Implementando Ações em Adaptação” reuniu representantes dos ministérios das Cidades e da Ciência, Tecnologia e Inovação, além da CAIXA, para discutir como políticas públicas e investimentos podem incorporar critérios de risco climático. Os participantes ressaltaram que ainda prevalecem modelos baseados em dados históricos, ignorando projeções científicas que já permitem antecipar vulnerabilidades. Reformular esses critérios, afirmaram, é essencial para evitar que recursos públicos se tornem “poupança negativa”, com gastos futuros em reconstrução e remediação.
Em outro debate, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima apresentou dados que evidenciam a urgência da pauta: nos últimos 10 anos, 84% dos municípios brasileiros foram afetados por eventos extremos. O número reforça a necessidade de fortalecer a resiliência local e de colocar a adaptação no centro da política climática nacional.
Cerimônia de abertura
Quem abriu os trabalhos foi Mukhtar Babayev, presidente da COP29, realizada em Baku.
Babayev recuperou o caminho que foi traçado desde a COP de Baku. “Depois de negociações tão difíceis, não há mais desculpas”, disse, cobrando que é preciso o “espírito do acordo” para que o objetivo de Baku seja efetivado, e trazer o financiamento como tema relevante. Ele buscou demonstrar união entre Baku e Belém, dizendo que André Corrêa do Lago vai abrir a COP da Implementação. “Lutar pela sobrevivência: temos direito ao futuro”.
No discurso de Corrêa do Lago como presidente da Conferência do Clima, ele enalteceu que o Brasil está unido em torno da agenda que a COP30 vai tratar.Ele também analisou avanços e obstáculos nos acordos multilaterais e na agenda de implementação. No mesmo tom da última carta publicada, afirmou: “Estamos quase lá, mas temos que fazer muito”, disse Corrêa do Lago destacando caminhos para efetivar resultados no mundo real. “Essa é uma COP que precisa apresentar soluções”.
Simon Stiell, secretário executivo da UNFCCC, discursou na sequência e começou falando sobre a transição em curso, como resultado de acordos diplomáticos anteriores e frisou: “O custo da inação é alto”. Stiell lembrou dos principais itens de agenda, comentando aquilo que já foi decidido e o que falta para colocar ações em curso. “Já concordamos com a transição para longe dos fósseis. Triplicar renováveis, duplicar eficiência. Agora é hora de colocar em prática o Mapa do Caminho. Concordamos sobre um objetivo global de adaptação, agora precisamos de indicadores. Concordamos que os caminhos devem ser inclusivos e justos. Agora faltam passos concretos “, disse. E finalizou: “O Acordo de Paris está funcionando. Devemos ser valentes e lutar juntos por ainda mais”.
No seu primeiro discurso na COP30, o presidente Lula destacou o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês) e compromissos coletivos assumidos durante a Cúpula dos Líderes, realizada em Belém, nos últimos dias.
Lula voltou a dizer que a COP30 será a COP da verdade. “É momento de impor uma nova derrota aos negacionistas. Sem o Acordo de Paris o mundo estaria fadado ao acontecimento catastrófico”. O presidente foi enfático em dizer que a mudança do clima não é uma ameaça ao futuro, mas sim uma tragédia do presente, citando o furacão Melissa, no Caribe, e a tragédia em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná.
Sem entrar muito fundo no tema, o presidente cobrou a necessidade de acelerar a transição energética para que a se “supere a dependência dos combustíveis fósseis”. Em matéria de governança, propôs a criação de um Conselho do Clima, vinculado à Assembleia Geral da ONU.
Ao enaltecer e reconhecer os esforços dos territórios indígenas em ações de mitigação, Lula falou de racismo ambiental e argumentou acerca do impacto desproporcional da mudança do clima, que deve ser levado em conta na política de adaptação. “A emergência climática expõe a crise de desigualdade. Mudar por escolha nos dá a chance de um futuro que não é ditado pela tragédia, disse.
Plano Clima
Não foi dessa vez. O governo brasileiro tentará novamente lançar o Plano Clima durante a COP30, no fim da próxima semana. A versão final, que define estratégias para reduzir emissões e ampliar a resiliência climática, ainda enfrenta impasses — especialmente sobre a meta de corte no desmatamento em propriedades rurais, responsável por quase metade do esforço da nova Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC). A falta de acordo entre setores, em especial o agropecuário, também atrasou o envio do Plano Nacional de Adaptação à Convenção do Clima. Saiba mais na nossa análise no blog.
Diálogo de Sharm-el-Sheikh e o Artigo 2.1(c)
Nesta segunda-feira (10), a Talanoa publicou um artigo que apresenta recomendações para orientar a decisão da COP30 sobre o Diálogo de Sharm-el-Sheikh (SeSD) e o Artigo 2.1(c) do Acordo de Paris. Com base no relatório dos co-presidentes do SeSD, o documento propõe três ações principais que combinam ambição e realismo, buscando fortalecer a resposta da COP30 à lacuna das NDCs e ao déficit de financiamento para adaptação.
Fato
O jogo de cintura e capacidade de diálogo da presidência da COP30 do Brasil, que conseguiu aprovar a agenda de negociação, sem qualquer atraso na abertura oficial da COP. Neste domingo, havia oito temas propostos para serem incluídos por países ou grupos de países. Três deles foram acomodados e outros cinco seguem em consulta: uma formal e quatro informais.
Frase
“Devemos lembrar que este processo da COP, no fim das contas, é sobre pessoas. Pessoas que talvez não acompanhem cada negociação, mas que sentem as consequências — na ansiedade diante de desastres cada vez mais intensos, nos preços dos alimentos, nos custos de seguros e nas contas de energia que aumentam a cada seca, inundação, tempestade e onda de calor.”
Simon Stiell, secretário executivo da UNFCCC, no seu discurso de abertura na COP30
Tacacá do dia
A COP da Amazônia tem as suas particularidades. Em um calor que beira 40 graus de sensação térmica, a gravata foi abolida dos eventos dessa conferência, desde os mais formais, e deu lugar a camisas e paletós mais leves. Na Cerimônia de Abertura, tanto o presidente Lula quanto o embaixador André Corrêa do Lago dispensaram o uso da gravata. Adaptação climática na pele.
Estivemos presentes em vários eventos neste primeiro dia de Conferênciado Clima em Belém. Desde a abertura no Parque da Cidade até a Green Zone, onde a sociedade civil e governos se reúnem e promovem várias palestras e rodas de conversa. Nossos especialistas acompanharam ainda as discussões sobre o Plano Clima e Governança Climática Multinível, além de reuniões com organizações e parceiros.
Participamos também da inauguração da Estação Amazônia Sempre, no Museu Paraense Emílio Goeldi, de fomento à pesquisa científica, estímulo à sociobioeconomia e a resiliência da cidade de Belém.
Eventos Talanoa na COP
| DATA | EVENTO | LOCAL | HORÁRIO | PARCEIROS ORGANIZADORES |
| 11/11/2025 | Lançamento de estudo cidades resilientes e justas | ICA (Instituto de Ciências da Arte – UFPA) | 18:00 | Observatório do Clima |
| 12/11/2025 | Phase-Out Fossil Fuels Day | Panda Hub | 11:30 – 12:30 | WWF, E3G, ETC, Embaixada da França no Brasil |
| 13/11/2025 | The Road From Belem: How COP30 will drive a “New Era of Implementation” on Resilience and Adaptation | Side Event Room 5 | 11:30 – 13:00 | ICS, CONCITO, E3G, I4CE |
| 15/11/2025 | Evento ministerial de alto-nível – Energy Transition Council | Side Event Room 2 | 14:30 – 16:00 | E3G, ETC, Presidência COP30 |