Workshop sobre indicadores de adaptação termina sem acordo sobre a extensão do mandato dos especialistas

O impasse a respeito da adoção da agenda formal de negociação não afetou o cronograma do Workshop do Objetivo Global de Adaptação (GGA), que foi realizado na segunda-feira (16), no primeiro dia da 62ª sessão dos Órgãos Subsidiários (SBs) da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC).

Por mais de sete horas, as Partes, especialistas e sociedade civil discutiram a proposta de indicadores e preparativos para a COP30, com foco no processo de refinamento da lista de indicadores apresentada pelos especialistas em maio, tanto em conteúdo como em processo.


Polêmicas na revisão dos indicadores

Dentre as visões sobre a lista de indicadores apresentada pelos especialistas, ganhou corpo a crítica aos indicadores de meios de implementação (MoI), sendo ressaltado que tanto a UNFCCC quanto o Acordo de Paris já estabelecem os MoIs e as obrigações correspondentes.

O Grupo Africano de Negociadores (AGN, na sigla em inglês) considera que apenas 15 indicadores dos 138 de MoI da lista dos especialistas são realmente de Mol. O Grupo SUR (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) considera um percentual ainda menor dentre esses como MoI: 7%. Grupos como SUR e AGN avaliaram que existe uma falta de equilíbrio quanto ao desenvolvimento de indicadores, apontando que a maioria deles reflete apenas orçamentos nacionais, deixando de contemplar o apoio internacional previsto no Artigo 9.1 do Acordo de Paris. O Grupo de Países em Desenvolvimento com Ideias Semelhantes (LMDC) também solicitou a inclusão de indicadores que evidenciem lacunas e necessidades, enquanto a União Europeia enfatizou a importância da linguagem da decisão de Baku e como os MoIs estão integrados como elementos viabilizadores do processo.

Ainda, diversos grupos (AGN, Grupo Árabe, AILAC – grupo de países da América Latina e Caribe, e SUR) pediram a remoção de indicadores percebidos como assistência ao desenvolvimento (ODA), mitigação e perdas e danos, destacando a importância do alinhamento com o Artigo 7 e a especificidade da adaptação. Também se defendeu a exclusão de indicadores de mitigação, notadamente o AGN.

Para avançar na direção no refinamento da lista, foi fortalecida a ideia de usar indicadores principais e subindicadores como base para priorização.

A elaboração de duas listas de indicadores foi solicitada: uma aplicável globalmente e outra, um cardápio com desagregações. AILAC e SUR destacaram a necessidade de focar o processo de relato na primeira lista. Os Países Menos Desenvolvidos (PMDs, ou LDCs na sigla em inglês), Aliança dos Pequenos Estados Insulares (AOSIS) e Quênia enfatizaram a importância de reduzir os encargos de relato e garantir o potencial de agregação, ao mesmo tempo em que asseguram que as realidades dos países vulneráveis, como os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS) e os PMDs, sejam devidamente refletidas.

Críticas à metodologia

Embora todos os grupos e partes tenham expressado sua gratidão aos grupos de especialistas pelo trabalho acelerado realizado, também reconheceram inconsistências. Em especial, ponderou-se que as diferentes abordagens metodológicas adotadas entre os grupos resultaram em um tratamento desigual dos subcomponentes e das estruturas de indicadores principais e subindicadores. Essa situação explica por que alguns grupos preferem não trabalhar diretamente com indicadores principais, o que reduziria o número total de 489 para 288.

Foi sugerido um último workshop técnico antes da COP30 (set/out), para resolver lacunas e ajustar a metodologia.

Mandato dos especialistas

A maioria das Partes apoia um novo mandato para fechar uma lista simplificada, com critérios a serem definidos ainda em Bonn. Contudo, o AGN sugeriu encerrar o trabalho dos especialistas em Bonn e passar para as Partes. O Grupo Árabe concordou parcialmente e sugeriu estender o mandato em um mês com maior envolvimento do Secretariado.

Os especialistas defenderam a continuação do seu papel, mas o workshop foi encerrado sem que se chegasse a um acordo sobre a extensão do mandato dos especialistas.

Equipe Editorial (Liuca Yonaha, Marta Salomon, Melissa Aragão, Ester Athanásio, Marco Vergotti, Renato Tanigawa, Taciana Stec, Wendell Andrade, Daniel Porcel, Caio Victor Vieira, Beatriz Calmon, Rayandra Araújo e Daniela Swiatek).

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